Se alguém ficar doente
E esquecer a carteira
Se for uma coisa urgente
Vá direto pra lixeira. ![]()
Não precisa ser audaz
Para logo perceber
De quem não for capaz
Certamente irá morrer.
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Os doentes e oprimidos
Que vivem em cada ilha
Para obterem comprimidos
Tem de voltar à cartilha.
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O estudo não dá pão
Mas neste caso atual
Quem não tiver seu quinhão
Nem pense no hospital.
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“Saúde um valor sem preço”?!
Isso era antigamente;
Hoje se o dinheiro esqueço
Morro se for coisa urgente.
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Mas há sempre um amigo
A quem deitamos a mão
Se nos receita em postigo
Salva-se a vida então.
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Digo isto sem temer
Porque sou bem ensinada
Quem quiser sobreviver
Que não se queixe de nada.
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Se juntarmos o queixume
Às moedas de hoje em dia
Podem crer que são estrume
Prevenir é a mais-valia.
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Rosa Silva ("Azoriana")
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A gente bem que não olha
Mas acabamos por ver
Venha o diabo e escolha
O que mais resta fazer.
Anda tudo desaurido
Nem pra trás nem para a frente
Portugal está perdido
E perdida está a gente.
‘Tou irritada com a nação
E com os seus condutores
Uns comem até mais não
E outros sofrem as dores.
Não gosto de falar mal
Nem quero apontar o dedo
Parece-me que Portugal
‘Inda vai nos meter medo.
Viemos nús ao nascer
Alguns inté se vestem bem
E nús havemos morrer
Pois por cá nem fica alguém.
O primeiro sinal de mudança
É na curva da idade
Deixa-se de ser criança
Quando se conhece a maldade.
Mal andamos todos nós
Com manias de perfeição
Bem fizeram nossos avós
Pra nos deixarem um quinhão.
Agora perde-se tudo
Não há poupança de nada
Está tudo preso ao canudo
Com a mesa depenada.
Rosa Silva
Há pessoal na nossa terra
Que começa a criticar
Porque eu inverto a serra
No canto a improvisar.
O pico vem ao de cima
Em vez de virar para baixo
É assim a minha rima
Com ela não me rebaixo.
Toda a gente tem estilo
Cada qual à sua maneira
Com outros eu nem refilo
Para não sair asneira.
Com intuito de me ajudar
Vão dando opiniões
Todo o que não se enganar
Venha dar-me, então, lições.
Sofro muito p’la calada
Com meu peito a escaldar
Mais vale não dizerem nada
P’ra rima não se assustar.
O colo é para abraçar
A rima que vem altiva
O coração para amar
Quem gosta que ela viva.
Quero que fiquem cientes
Talvez um pouco pela rama
Os que forem inteligentes
Verão que o verso me chama.
Se ao contrário está meu juízo,
Temos pena, ninguém se iluda;
A cantar de improviso
Com regras, Deus me acuda!
Rosa Silva
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